sábado, 19 de agosto de 2017

DIFERENÇA ENTRE FACULDADES, UNIVERSIDADES, INSTITUTOS E CENTROS DE ENSINO



No artigo de hoje abordaremos uma dúvida muito comum de calouros que estão ingressando no ensino superior, e que já se depararam com essa dúvida: afinal, qual a diferença entre Faculdade, Universidade, Instituto e Centro de Ensino?

Apesar de serem todas IES (instituições de ensino superior) existe uma hierarquia entre elas com diferenças bastantes significativas. Vamos abordar:

FACULDADES: 
Para começar, é importante você saber que existe uma hierarquia (uma escadinha) no mundo acadêmico. Ela começa pelo nível mais baixo, ou seja, as faculdades. Eu não vou me ater aqui a números exatos de cada uma, limitando-me a explicar conceitualmente sobre cada uma delas. Se você precisar de números oi requisitos exatos, basta procurar no Google documentos específicos relacionando as exigências e requisitos para ser cada uma delas. 

Qualquer pessoa maior de 21 anos, com grau de instrução de nível superior pode abrir uma faculdade. Abrir uma faculdade é como abrir uma empresa. Suponhamos que você seja o empresário e queira entrar para o atrativo mercado da educação. Primeiro, você providencia as aberturas legais da junta comercial, tira CNPJ, etc, depois você vai até o MEC e pede autorização para ofertar "X" cursos. 
É necessário apresentar um plano de negócios. O MEC vai avaliar o seu documento e se estiver de acordo, o MEC então autoriza a abertura do curso e fazem uma vistoria no local aonde o curso será ofertado para verificar se as instalações atendem aos critérios mínimos. A partir daí, é expedido a autorização para o curso funcionar com uma quantidade de vagas limitadas (geralmente 100 vagas). 
A IES pode começar com 1,2, 3, 10, 20 cursos superiores, tudo depende do seu plano de negócios. Ela pode ofertar faculdades de Engenharia, Administração, etc. Alguns cursos são mais difíceis de obter autorização, como por exemplo, medicina. 

O MEC então expede um termo de Autorização de funcionamento do curso, e aquela IES começa a funcionar. Importante frisar que neste momento, o curso encontra-se apenas "AUTORIZADO", e não "RECONHECIDO". 

Agora, vamos supor que daqui a 4 anos, a IES forma a sua primeira turma de Administração. Nesse momento, ela entra então com pedido de Reconhecimento do Curso. O MEC novamente volta a IES, refaz toda avaliação para verificar se a IES cumpriu com o plano de negócios e conversa com os alunos para saber se eles realmente aprenderam durante o tempo em que o curso esteve funcionando. Se a avaliação for boa, o curso é Reconhecido, senão, a IES perde o credenciamento e para de funcionar. Isso é feito com todos os cursos.

E mesmo depois que os cursos são reconhecidos, os mesmos passam por avaliações periódicas para auferir a qualidade. Também seus estudantes são submetidos ao ENADE para atestar a qualidade do curso. Quando uma IES tem notas muito baixas no ENADE, ela pode perder o credenciamento daquele curso e ser obrigada a fechar por baixa qualidade.

As faculdades na maioria da vezes, possuem perfil de cursos voltados para o mercado de trabalho. A faculdade, normalmente, concentra-se em um número menor de áreas do saber, ou especializa-se em somente uma área, oferecendo apenas um curso como o setor da saúde ou da economia, por exemplo. Outra diferença apontada é que a faculdade não possui autonomia para criar novos cursos, precisa pedir autorização para o Ministério da Educação (MEC). 

Nas faculdades, o incentivo à pesquisa científica não é muito forte, pois o foco desse tipo de instituição é capacitar os estudantes para a vida profissional apenas e não para a acadêmica como é o caso das universidades.

Na esfera privada, geralmente cursar uma faculdade custa 20% mais barato que o mesmo curso ofertado por uma Universidade. Importante destacar que os diplomas expedidos por ambas tem o mesmo valor legal. 

A faculdade não necessita desenvolver programa de pós-graduação, mas se optar por oferecê-lo será de especializações lato sensu. O corpo docente das faculdades precisa ter no mínimo pós-graduação lato sensu (MBA, especialização, etc), enquanto nas universidades é requerido o stricto sensu (mestrado e doutorado). Ou seja, um aluno de Universidade quase sempre terá aulas com Mestres e Doutores, o que não acontece tanto nas faculdades. 

INSTITUTOS DE ENSINO SUPERIOR

Os Institutos são o segundo degrau da escadinha de hierarquia. Possuem características muito similares às faculdades.  Os Institutos são bem específicos em suas áreas de atuação. Podem oferecer cursos de graduação e pós-graduação, veja Insper, IBMEC por exemplo. Possuem Professores a nível integral. Trabalham com linhas de pesquisas especificas. Tem uma grande proximidade com o mercado de trabalho graças à relação empresa-escola que muitos institutos federais e privados fazem como programas para os discentes. Um instituto universitário é uma instituição de alto nível orientada para a criação, transmissão e difusão da cultura, do saber e da ciência e tecnologia, através da articulação do estudo, do ensino, da investigação e do desenvolvimento experimental.

No Brasil, existem diversos institutos, sendo que a maioria deles é regida pelo Governo Federal. Os mais famosos são o ITA (Instituto Tecnologico de Aeronáutica) e o IFSP (Instituto Federal de São Paulo). 

Os requisitos mínimos fixados pela lei para que uma instituição de ensino superior tenha a natureza de instituto universitário são os seguintes:

Estarem autorizados a ministrar pelo menos três ciclos de estudos de licenciatura, três ciclos de estudos de mestrado e um ciclo de estudos de doutoramento;
Disporem de um corpo docente que satisfaça os requisitos fixados na lei para as instituições de ensino universitário;
Desenvolver atividades no campo do ensino e da investigação, bem como na criação, difusão e transmissão da cultura;
Disporem de centros de investigação e desenvolvimento avaliados e reconhecidos, ou neles participar;
Disporem de instalações com as características exigíveis à ministração de ensino universitário e de bibliotecas e laboratórios adequados à natureza dos ciclos de estudos.

Os institutos universitários compartilham o regime legal das universidades, incluindo certo grau de autonomia e o governo próprio, com as adaptações decorrentes da sua natureza.


CENTRO UNIVERSITÁRIO

Os centros universitários são o terceiro grau da hierarquia acadêmica no Brasil. São "quase" uma universidade, mas ainda com algumas limitações. 

Os centros universitários, assim como as universidades, têm graduações em vários campos do saber e autonomia para criar cursos no ensino superior, ou seja, podem criar qualquer curso sem precisar de autorização do MEC. Em geral, são menores do que as universidades e têm menor exigência de programas de pós-graduação. Seus principais requisitos são: 

Os centros universitários compartilham algumas características com as universidades, apesar de ter regras menos rígidas. Por exemplo, não precisam oferecer cursos de pós-graduação, mestrado ou doutorado, apesar de poderem oferecer tais cursos. Também não precisam necessariamente produzir pesquisas e atividades de extensão.
Segundo o MEC, os centros universitários obrigatoriamente devem possuir:
– Graduações em várias áreas do conhecimento.
– Autonomia para a criação de cursos sem necessitar da autorização do MEC.
– Um terço do corpo docente com titulações de mestre ou doutor.
– Um quinto do corpo docente em contrato de regime integral.

Os centros universitários costumam ser menores do que as universidades, mas com estrutura mais completa e diversificada do que as faculdades.

São centros universitários as instituições de ensino superior pluricurriculares, abrangendo uma ou mais áreas do conhecimento, que se caracterizam pela excelência do ensino oferecido, comprovada pela qualificação do seu corpo docente e pelas condições de trabalho acadêmico oferecidas à comunidade escolar. Os centros universitários credenciados têm autonomia para criar, organizar e extinguir, em sua sede, cursos e programas de educação superior. Ou seja, para ser Centro Universitário não basta só ter um vasto portfólio de cursos. É necessário que sua qualidade seja reconhecida. Assim como as Universidades, os Centros Universitários terão perfil mais acadêmico, em contraposição às faculdades (perfil de mercado de trabalho) e Institutos (perfil de formação tecnológica). 

UNIVERSIDADES

A última etapa do degrau academico vem com as Universidades. Como o próprio nome diz, é um Universo de conhecimento. Dentro de uma universidade podem existir várias faculdades, e até institutos e centros de ensino. Uma universidade pode ainda contem vários campus num mesmo Estado, ou em diferentes Estados Brasileiros. No Brasil, as Universidades governamentais mais conhecidas são: USP, UNICAP, UFRJ, UFMG, UFRS, UNIFESP, UNVESP, etc. Na esfera privada, UNIP, Anhanguera, UNISUL, UNIVAP, etc. 
Também formam para o Mercado de Trabalho, porém possuem perfil mais acadêmico, destinadas a formar professores, mestres e doutores de conhecimento. 

Para ser uma universidade, o MEC exige alguns requisitos básicos:
– Oferecem cursos em várias áreas do saber, como saúde, comunicação, economia e etc.
– Devem oferecer obrigatoriamente atividades de ensino, pesquisa e extensão (serviços à comunidade)
– Tem autonomia para a criação de cursos sem pedir autorização do MEC.
– Um terço do corpo docente deve ter, pelo menos, título de mestrado ou doutorado.
– Um terço dos professores deve ter contrato de regime integral.
– Deve desenvolver ao menos quatro programas de pós-graduação stricto sensu, sendo um deles de doutorado.

A universidade necessita de um campus com mais espaço, para que todas as suas faculdades sejam instaladas e os cursos possam se desenvolver de forma coerente com as necessidades dos estudantes. Algumas instituições oferecem restaurantes, museu e alojamento dentro da cidade universitária.

As instituições são credenciadas originalmente como faculdades. O credenciamento como universidade ou centro universitário, com as consequentes prerrogativas de autonomia, depende do credenciamento específico de instituição já credenciada, em funcionamento regular e com padrão satisfatório de qualidade.
As universidades se caracterizam pela indissociabilidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão. São instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano, que se caracterizam por:
I - produção intelectual institucionalizada mediante o estudo sistemático dos temas e problemas mais relevantes, tanto do ponto de vista científico e cultural quanto regional e nacional;
II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado; e
III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral.
§ 1º A criação de universidades federais se dará por iniciativa do Poder Executivo, mediante projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional.
§ 2º A criação de universidades privadas se dará por transformação de instituições de ensino superior já existentes e que atendam ao disposto na legislação pertinente.

CONCLUSÃO:

Faculdade, Instituto, Centro Universitário ou Faculdade, todas acabam tendo o mesmo objetivo: a formação para o ensino superior. Cabe a você, decidir qual destas mais se encaixa aos seus objetivos acadêmicos. Em geral, alunos de Centros de Ensino e Universidades acabam tendo "ligeira" vantagem em relação as outras IES, mas isso não é uma regra. Existem faculdades e institutos mais bem conceituados que muitas universidades. Pesquise bastante como o mercado enxerga a IES em que você deseja se matricular. 


Autor: Henkel Magalhães
Gerente de RH / Treinamentos no CTMD TI
Engenheiro Elétrico pela UNESP
Mestre em Engenharia Elétrica pela Univ. de Toronto
Doutor em Engenharia Elétrica pela Univ. Paris Sacray
Pós doutorando em Eng. Elétrica pelo ITA

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